terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Nuno Gomes expulso com o Nacional?

Segundo se pode ler na imprensa desportiva do dia de hoje, Nuno Gomes foi expulso no jogo com o Nacional, sem que ele saiba as razões para tal expulsão.

Diz a Lusa que :

"Nuno Gomes foi expulso depois do jogo Benfica-Nacional, informaram os responsáveis do clube da Luz. O incidente passou despercebido aos olhos de todos quantos estiveram no estádio. Aliás, segundo explicou o director de comunicação dos encarnados, João Gabriel, à Agência Lusa, nem o avançado percebeu.

Dados os contornos da expulsão do capitão, os benfiquistas ameaçam agir criminalmente contra a equipa de arbitragem liderada por Pedro Henriques, caso considerem serem falsas as justificações dadas: «O delegado do Benfica ao jogo, Shéu Han, verificou que na ficha do árbitro constava a expulsão do jogador e capitão de equipa, Nuno Gomes. Não foi dada qualquer explicação, quer ao clube quer ao atleta, dos motivos dessa expulsão, aliás desconhecida de todos os intervenientes no jogo. Mais, o jogador em momento algum se cruzou com a equipa de arbitragem no final do jogo.»

O director de comunicação apontou que os responsáveis encarnados vão reunir as informações necessárias, antes de tomarem uma decisão em relação ao sucedido: «O Benfica e o jogador reservam-se ao direito de agir criminalmente contra a equipa de arbitragem se verificarem que esta faltou à verdade, ao invocar acontecimentos ou acções desconhecidas e não praticadas pelo atleta."

O que Nuno Gomes deveria dizer ao árbitro no final da partida é que ele pensa que nos tirou dois pontos mas na verdade ainda nos pode dar o campeonato...

Agora vai ser mais fácil ao Benfica ganhar os jogos em casa e fora, porque basta que alguém crie alguma confusão na área, se enrole um jogador nosso com outro adversário no chão e Nuno Gomes, Suazo ou Cardozo mandam a bola contra esse indefeso jogador adversário e se a bola lhe bater no braço - independentemente da vontade desse jogador - será sempre penalti.

Temos os nossos problemas resolvidos. Agora vamos ter penaltis todas as semanas a nosso favor.

Ainda bem que há algo positivo com o não assinalar do penalti sobre Miguel Vítor, da hipotética mão dele na mesma jogada e do consequente golo invalidado.

Fora de brincadeira, como é que é possível um jogador ser expulso e só o saber quando o delegado técnico, assim como quem não quer a coisa, passa os olhos de esguelha pelo relatório do árbitro?

Tudo isto é surreal mas temos que saber que por mais que se fale alto e se tentem desmascarar os árbitros e o que nos têm prejudicado, no próximo jogo do Benfica na Trofa, não nos vão ajudar. Posto isto, a maneira que temos de ser campeões é assumir dentro do jogo que somos realmente melhores que todas as equipas que defrontarmos na Liga e tentar resolver o jogo antes que seja tarde demais.

"Fia te na virgem e não corras..." é o que se dizia nas aldeias deste Portugal, a quem não trabalhava a pensar que não o fazendo o milagre vinha do Céu. Ontem apareceu um milagre e a bola entrou mesmo, mas esse milagre não invalida que alguém ontem se fiou na virgem e não correu quando devia. E quando assim é há juízes na Terra que podem influenciar a execução desse milagre. Ontem passou se isso no Estádio da Luz.

Não podemos esmorecer com este percalço e só temos que pensar que vamos entrar em 2009 com mais vontade e mais garra de sermos campeões.

Há males que vêm por bem. Neste caso o mal de ter o Nuno Gomes expulso, pode vir a dar queixa crime contra o árbitro e não vejo melhor desfecho para o que passou ontem. Temos que esperar para saber realmente o que disse esse artista Pedro Henriques no seu relatório sobre esta pseudo-expulsão do Nuno Gomes.

Também se diz nas aldeias de Portugal que "Deus escreve certo por linhas tortas" e eu que acredito pouco na religião em prol do futebol, tenho de concordar que tudo isto ainda pode dar muita volta. Ninguém nos dará os 2 pontos, mas também não tenho pressa de ser campeão e estes pontos não nos farão falta. Por agora não fazem... Acreditem...

Força Benfica

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Safou-se o resultado...

No final da partida de hoje no Estádio da Luz, Luisão disse que:

"O problema não foi atitude, mas sim um problema técnico".

E ele tem toda a razão. Nós pensamos sempre que o problema é de atitude mas a verdade é que se eu entrasse hoje em campo, por mais atitude e vontade que tenho (acreditem que correria até aos limites das minhas forças) não ajudaria em muito a equipa porque tecnicamente sou uma nulidade - tendo em conta os parâmetros de jogador profissional do Benfica.

A meio da segunda parte, o resultado 0-0 era lisonjeador para o Benfica e tecnicamente fui obrigado a concluir o que não queria concluir - o Nacional joga melhor futebol que o Benfica (pelo menos hoje).

Penso que não fui o único a pensar isto, pois esta era a verdade indesmentível do que se passava no relvado do Estádio da Luz.

Na NBA é muito comum as equipas fazerem três primeiros períodos a jogar a meio gás, controlando o resultado, sem grande intensidade (especialmente na regular season) e depois atacam forte no último período como se esse último período fosse o único que conta para o desfecho da partida.

Pois o Benfica hoje, fez exactamente isto, com a agravante que esse forcing final coincidiu com a expulsão dum jogador do Nacional - nunca saberemos se foi consequência da expulsão ou foi por nossa iniciativa que começámos a jogar mais rápido, apesar do chuveirinho ser a jogada mais utilizada.

Temos que admitir, que este jogo hoje foi mau demais para ser verdade. Todos sabemos o que se passou na última semana na nossa equipa e todos sabemos o que se passou nos campos dos adversários directos no fim de semana. Mais uma vez - como aconteceu com Setúbal, Leixões, Metalist - "por todas as razões e mais algumas" devíamos ter ganho, mas não ganhámos.

E não ganhámos por nossa culpa. A pior coisa que aconteceu ao Benfica hoje, foi ter sequer existido aquela jogada de golo invalidado no final, mesmo que o golo seja limpo. Isto porque essa desculpa de termos sido roubados vai estar em todas as cabeças encarnadas nos próximos dias e isso não é mais que querermos tapar o sol com a peneira.

Estamos num período péssimo da época, porque a equipa está absolutamente desconstruída. É muito bom terminar em primeiro com os tais dois pontinhos de avanço, mas mais importante que esta vantagem é a paragem que permitirá à equipa, vir com novas energias no ano novo. Energias físicas, mentais e místicas - necessitamos de energia positiva na equipa outra vez.

Desde os 6-0 que não marcamos nenhum golo e esta carga negativa tem de sair definitivamente da equipa, mas também temos que melhorar muito a parte técnica-táctica do nosso jogo.

Como muitos dos que me lêem por aqui sabem, sou totalmente contra que qualquer jogador ou treinador fale de árbitros e sobre este tema já aqui falei noutro post. Não admito que outra pessoa que não Rui Costa ou Luís Filipe Vieira falem de árbitros na estrutura do Benfica e com este principio (que não mudarei nunca, sob nenhum roubo de catedral ou qualquer benefício a nosso favor) repúdio totalmente as palavras de Quique Flores no final da partida. Não quero ter um treinador à imagem de Jesualdo ou Paulo Bento e mesmo que Quique tenha mantido a educação, na minha opinião deve sempre calar e respeitar o árbitro, focando as mágoas deste empate - que na minha opinião não foi tão mau quanto isso - nos falhanços gerais da equipa e em falhanços individuais que permitiram que a equipa chegasse ao nulo no final do jogo.

Terminamos o ano sem a alegria que todos merecíamos - 36399 pessoas no estádio a uma segunda feira de natal às 1945h - mas com o contentamento de sermos primeiros no Natal ao fim de 15 anos.

Espero que possamos continuar na liderança do campeonato, mas neste momento temos tudo complicado para o nosso lado. Não quero falar muito da Taça Uefa e Taça de Portugal, mas sem nenhuma dessas competições qualquer desaire Benfiquista na liga - e lembro que ainda não perdemos - vai ser amplificado por todos como crise geral e alerta vermelho. Essa culpa é algo que só pode ser remetida unicamente para a equipa que agora tem uma pressão que ajudou também a construir.

Foi muito mau o jogo de hoje, mas safam-se os números na liga e o resultado positivo de hoje. Liderança com 26 pontos em 12 partidas, sem nenhuma derrota, melhor ataque e melhor média entre golos sofridos e marcados..

Neste momento, há que ter consciência que vai ser muito difícil vencer o campeonato e que temos de sofrer muito para o conseguir. O segundo lugar pode não ser mau como já alertou Quique e temos que nos preparar para tudo. Como alguém escreveu aqui num blog vizinho :

"... no 2º jogo que TEMOS de ganhar, empatamos... Assim se perdem campeonatos..."

Eu acrescento que não se perdem mas dificultam-se. Uma vez mais e para terminar a análise pergunto aos meus mais directos adversários se queriam trocar de posição comigo e ambos responderiam que sim...

"O que não nos mata torna-nos mais fortes..." Estamos vivos e em primeiro, mesmo que nos custe fechar o ano desta maneira.

Força Benfica

Centésimo Post - Futebol mas não só...

Decidi um dia escrever sobre a minha grande Paixão, duma forma isolada e individual, sem o anunciar publicamente e hoje, passados exactamente 8 meses e 11 dias sobre esse 11 de Maio 2008, chego ao centésimo post.

Não tinha qualquer outro objectivo, senão escrever as minhas ideias, organizar os meus pensamentos e confirmar que mais tarde posso saber exactamente o que pensei naquele preciso momento, mesmo que noutro tenha uma opinião diferente.

É isso que tenho feito. Opinar sobre a minha grande Paixão - o Benfica.

Estes últimos meses têm sido importantes e decisivos na minha vida e este blog tem-me mantido calmo e sereno. Quase como um porto de abrigo, que por aqui está sempre pronto para me receber. Tudo isto, resume-se à Paixão que tenho pelo Benfica e a maneira racional e determinada como penso cada um destes assuntos relacionados com o Benfica. Não sei se sou assim tão equilibrado e confiante fora desta Paixão encarnada, mas sei que por aqui vou escrevendo com uma confiança e com uma segurança de ideias que muito me satisfazem.

Foi no dia em que Rui Costa abandonou os relvados que decidi escrever o primeiro post. Abri o blog, dei-lhe o nome que queria e resolvi escrever esse primeiro texto de nome "O Benfica Sou Eu". Não entendia (nem entendo) muito bem as questões técnicas deste meio e bem pena tenho de não saber colocar este blog um pouco mais "esteticamente apelativo". Neste dia e antes de falar do que realmente quero falar - "ecletismo Benfiquista" não posso deixar de falar de Rui Costa, pois se foi no último dia que pisou os relvados que decidi abrir este espaço, no momento em que celebro 100 "longos" posts devo dirigir-lhe uma ou outra palavra.

Ponto 1
Rui Costa falou para a Benfica TV (que ainda não tive tempo suficiente para analisar e comentar) dizendo a maravilhosa frase :

"Espero ser melhor director desportivo do que aquilo que fui como jogador."

Esta frase traz marcada na sua génese uma ambição, um profissionalismo e uma força que impressiona.

Passaram 8 meses e 11 dias desde o seu último jogo e este Homem define desde já que quer fazer História nas novas funções. Com esta frase, Rui Costa deixa-nos entender que acorda diariamente (cedo) com vontade máxima em aprender, fazer bem, cometer menos erros e acertar mais na esperança de devolver o Benfica ao seu lugar de destaque e consequentemente elevar o seu novo cargo de director desportivo a níveis superiores do que atingiu como jogador.

A partir deste momento há duas coisas que temos que ter em conta. Rui Costa define com esta frase uma carreira que ele quer longa no dirigismo desportivo - no inicio como director desportivo, depois logo se verá - e anexa ao seu sucesso e fracasso os sucessos e fracassos do Benfica. "Que tenhas sorte, Rui..."

Ponto 2
Cresci a ouvir dizer que enquanto o Benfica era dominador no futebol, outros clubes eram dominadores no ecletismo desportivo. Nunca entendi bem essa questão tão verde de pensar que outros dominam o ecletismo nacional. É um mito que nunca entendi. Sempre me lembro do Benfica ser dominador (e se não dominador, pelo menos competitivo) em vários desportos como sejam o hóquei, o basket, o vólei, atletismo, ciclismo, rugby, andebol, etc...

Certo dia numa discussão infantil (algures entre 8-12 anos) com um adversário/colega/amigo esverdeado e no calor de argumentos ele disse-me que o Sporting era melhor que o Benfica no motocrosse. Isso mesmo, no motocrosse. Imaginem tal o seu desespero para colocar motocrosse como uma modalidade em que esse tal clube esverdeado seria melhor que o Benfica. Eu devo ter respondido com bilhar e deve-se ter terminado a conversa aí... Nesses tempos pré-adolescentes em que comprava religiosamente o jornal do Benfica e "A Bola" para ler "as coisas realmente importantes da vida". Às vezes tenho saudades desses tempos em que ia comprar "A Bola" à segunda-feira (ainda não era um jornal diário) e como um grande lençol, o estendia na mesa da sala e passava uma tarde a ler tudo, tudo o que tinha a ver com o Benfica e a dissecar os resultados do fim de semana - e nem tudo era futebol.

Pois bem, passados alguns anos desde essa discussão esverdeada e das tardes livres onde se podia ler o jornal do Benfica ou "A Bola" descansadamente e num momento em que a nossa equipa de futebol lidera o campeonato com um jogo a menos, é bom olhar para o tal projecto ecléctico tão caro a qualquer Benfiquista que se preze.

Sobre esta questão, a minha opinião é clara há muitos, muitos anos... Eu entendo que cada secção tenha que dar lucro e que tenha que ser auto sustentada através de quotas (a quota suplementar modalidades confere novas obrigações ao clube neste particular) e de patrocínios, mas sei que no dia em que algo correr mal nessa secção, a porta de saída é muitas vezes o desfecho dessa secção amadora do clube.

Eu tenho uma regra distinta. Eu penso que nos milhões que se geram no futebol deveria estar sempre anexada uma percentagem que seria canalizada ano após ano para as modalidades amadoras. Bem sei que com a SAD, tudo isto tem regras e as matemáticas financeiras nem sempre são fáceis mas penso que seria importante que cada um de nós soubesse que quando compra um bilhete de época, possa estar a dar uma percentagem pequena para as modalidades - depois do estádio pago isto deveria ser possível.

A verdade é que neste momento o Benfica é um orgulho para todos os Benfiquistas. Ainda lideramos o campeonato de futebol - lembro para os distraídos que as derrotas com Leixões e Metalist não contam para a Liga - e somos líderes no basket com 14 vitórias em 14 jogos depois de termos derrotado o FCPorto em Matosinhos este fim de semana - os Celtics na NBA que se cuidem porque os seus 25-2 estão a ser ameaçados do outro lado do mundo.

Estas duas lideranças sem derrotas - futebol e basket - são bem acompanhadas pelo futsal, pelo andebol, pelo voleibol e pelo hóquei que apesar de não liderarmos estamos na corrida em todas estas modalidades pelo ceptro mais desejado.

Para lembrar os mais distraídos, o FCPorto não tem futsal nem voleibol e o Sporting não tem nem hóquei na Liga principal nem equipas de basket ou voleibol.

O Benfica está a trabalhar para que o ecletismo seja uma realidade dominadora, mas para isso é importante que se dê uma prioridade total a este item. Há alturas em que não se entende bem as prioridades, os investimentos, os desinvestimentos, as dúvidas e os projectos mal planeados, como por exemplo com o ciclismo. Acabamos de saber esta semana que João Lagos quer acabar com o ciclismo como se abrir ou fechar secções usando a marca Benfica fosse um negócio como qualquer outro. Não pode ser assim. Por isso é que temos de saber claramente quem é prioridade e quem está à experiência, porque eu não acredito que o Benfica aceite ser tubo de ensaio para qualquer pessoa, ou marca.

Temos que ser claros nesta análise e definir em que modalidades queremos ser profissionais e ter longevidade e em que modalidades queremos ser os tais tubos de ensaio. Nestes últimos casos, mais vale nem sequer abrir a modalidade para evitar o que acaba de acontecer com o ciclismo.

Quero ver um Benfica ecléctico (ainda mais se possível) e dominador. Quero ver os pavilhões cheios em alturas importantes da época - as tais tardes magníficas que se viam as modalidades antes de irmos ver o futebol devem voltar - e quem sabe se depois desta nova campanha de angariação de sócios o Benfica não se lembra de fazer uma boa campanha para apelar à quota modalidades. Eu que também domino algumas das questões do Marketing, vejo sempre um posicionamento das modalidades como um parente de luxo, apesar do verdadeiro posicionamento junto do grande público é que as modalidades são pobres. Espero que entendam o verdadeiro sentido desta palavra pobre aplicada num conceito de puro posicionamento de marketing.

Há que valorizar as modalidades e um bom anúncio reposicionando as modalidades num nível superior, com imagens do hóquei, do basket, do futsal, do voleibol, do andebol, apelando à adesão da quota modalidades podia criar receitas extraordinárias importantes que seriam determinantes para poder ganhar mais e perder menos.

Os investimentos nas modalidades terão de ser uma prioridade no próximo mandato presidencial - lembro que neste próximo mandato ficaremos com o estádio pago, com a Benfica TV consolidada, com os direitos televisivos do futebol livres e teremos mais sócios e provavelmente mais títulos futebolísticos que como sabemos catapultam todo o nosso universo encarnado - e espero que Luís Filipe Vieira assim o entenda.

Estamos no bom caminho do Benfica ecléctico e dominador. E eu também me parece que estou no bom caminho ao fim de 100 "longos" posts e depois de entender que este meu cantinho blogosférico dá-me a paz de espírito que necessito para encarar o resto da minha vida. Quem diria? E nem ainda contei à família...

Força Benfica

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Levantar a cabeça (Parte 2)

Quique reagiu com determinação, atitude e responsabilidade no final do jogo com o Metalist, numa espécie de aviso à navegação.

Tenho aqui escrito linhas e linhas de apoio incondicional a Quique, mesmo discordando dele uma ou outra vez, e hoje foi mais um destes exemplos onde ele mostra que é a pessoa certa no lugar certo.

Se há dúvidas de alguns Benfiquistas sobre o que vale - devem ser poucos - eu não tenho dúvidas nenhumas sobre o seu valor, o seu profissionalismo e a sua categoria.

Basta ler as suas palavras proferidas ontem na conferência de imprensa...

"Somos todos responsáveis, mas se tiver de ser o único a assumir, faço-o sem problemas. Não me escondo nos momentos difíceis. Fizemos uma competição muito fraca, que nada teve a ver com o que fizemos na eliminatória com o Nápoles, que foi vibrante e brava, que nos deu muito orgulho. Não estivemos ao nível que a prova exige.

"Temos a sorte de nos manter na competição mais importante e também mais difícil. É aquela que mais compensações pode dar ao Benfica. Queremos jogadores que gostem de desafios, que querem superar-se constantemente, e estamos num momento de tomar decisões nesse sentido, eles sabem-no. Hoje [ontem] não me conformo não com o resultado, mas sim com o que se passou depois do golo. Pode haver acerto ou não, pode chegar-se ao golo ou não, mas não é costume que as minhas equipas sofram um golo e fiquem conformadas com um cenário desfavorável, como se fosse indiferente. A equipa baixou os braços. Não quero jogadores conformados, que não lutem até final. Fiquei surpreendido e chateado. Não é esta equipa que desejamos, repudiamos esta imagem!

"O que se passou, sobretudo nos últimos dez minutos, vai ao encontro da história recente do Benfica. E eu não estou aqui para fazer parte dessa história. Vim com a ambição de mudar o que aconteceu nos últimos anos. Vim com a intenção de mudar a falta de alegria, a inércia e falta de vontade de ganhar. Não me conformo em ser apenas mais um e manter o Benfica dos últimos anos, isso é impensável. Não me conformo em deixar andar, em dizer se não for hoje é amanhã. É imperativo mudar a mentalidade.

"Não sinto pressão, é algo lógico. Não estamos aqui para deixar andar, sim para mudar. Não gosto de andar na rua a pedir perdão às pessoas e a baixar a cabeça. Trabalho muito e o suficiente para andar de cabeça erguida. A Taça UEFA retrata a pior face do Benfica e não podemos deixar que intoxique a Liga. Somos uns privilegiados, temos uma excelente profissão, e temos de transmitir sensações positivas. Já demos referências boas e não vou permitir passos atrás. Para mais, depois do que aconteceu com o Marítimo, era impensável que os avançados ficassem dois jogos sem marcar..."

Sem mais, Força Benfica

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Levantar a cabeça

Esta semana passaram se coisas engraçadas no universo encarnado.

Primeiro, percebeu-se que o grupo estava unido no jantar de natal depois da derrota em Matosinhos e que isso era algo negativo para os nossos mais directos adversários que queriam aproveitar esta semana negra Benfiquista.

Nesse dia e quando questionado com a pergunta de algum jornalista bem intencionado:

"Porque não tem jogado mais nestes últimos jogos?" Cardozo respondeu e citando "A Bola":

"Não sei, a verdade é que não sei porque tenho jogado pouco esta época. O professor [Quique Flores] tem colocado a jogar outros jogadores que, crê, lhe podem render um pouco mais em campo. A verdade é que não vos sei responder porquê. Continuo a treinar-me bem, com os meus companheiros, que o têm feito de forma muito boa, também. Espero, daqui em diante, jogar um pouco mais», disse Tacuara, porta-voz das esperanças do plantel benfiquista ontem, à saída do almoço de Natal, realizado no pavilhão 2 da Luz.

Sempre sem perder o sorriso e o optimismo, pese o alegado desconhecimento quanto às razões para a sua menor utilização esta época, o avançado internacional paraguaio, único dos jogadores do plantel a falar à generalidade da comunicação social à saída do repasto, sublinhou o redobrado empenho dos profissionais da águia na conquista do título nacional, gorado que está o objectivo Taça de Portugal. «Resta-nos o Campeonato, para lutar até à última», afirmou a propósito. Nesse sentido, garantiu estar o desaire em Matosinhos ultrapassado, sem mais mazelas psicológicas."

Qualquer pessoa bem intencionada entende que Cardozo respondeu a uma pergunta e de forma simpática disse o cliché dos clichés... Pois alguns jornalistas viram nesta resposta uma desestabilização total e tentaram eles próprios desestabilizar mais. Claro que os sportinguistas rejubilaram, tendo eu mesmo recebido mensagens sms de preocupação com os títulos esverdeados ou azulados que por vezes aparecem na comunicação social...

"Os cães ladram e a caravana passa"...

No mesmo dia li também n´"A Bola" Candeias afirmar que:

"Temos dois jogos pela frente, ainda antes do Natal, com o Estrela e o Marítimo, e acreditamos que vamos acabar o ano na liderança." Ele pensa que tem dois jogos em atraso mas na verdade só tem um jogo em atraso que por acaso ganhou na Reboleira ontem. Agora mesmo ganhando o próximo jogo tem que esperar que o Benfica perca (coisa que ainda não aconteceu no campeonato esta época) para chegar a liderança natalícia.

Nesta altura, comecei a entender o que significa estar em primeiro - ser o alvo a abater custe o que custar.

Sabia que o jogo com o Metalist seria aproveitado pela populaça para gozar uma vez mais com o Benfica e aqui tenho de admitir que a generalidade da imprensa embarcou nessa ajuda, considerando possível um acontecimento que era absolutamente improvável.

O Benfica não tinha como ganhar neste jogo. Se o ganhasse por 1-0 seria mau, tendo em conta os 8-0 que necessitaríamos, se empatássemos, seria mau e se perdêssemos seria péssimo. Não havia como ganhar neste jogo e por isso hoje Leonor Pinhão de forma irónica e inteligente escrevia que o ideal seria o 0-0, com o objectivo primordial de motivar Moreira.

Eu escrevi em tempos aqui, que acreditava em milagres quando esses milagres incluíssem o Benfica e por isso desejei que Metalist perdesse com Olympiakos e Hertha perdesse com Galatassaray para que o Benfica depois tivesse oportunidade de tentar ganhar 3-0 ao Metalist. Era um Milagre da velha escola e tal não se verificou, pois o Metalist ganhou ao Olympiakos eliminando aí o Benfica da Taça Uefa.

Hoje foi triste ver alguns cartazes no estádio, indevidamente destacados pelo realizador - alguns deles até com erros grosseiros de Português mas nesta coisa do Benfica o que conta é a intenção - com frases de esperança no impossível, mas ao mesmo tempo é bom saber que há quem acredite e que apoie a equipa sempre. Ainda bem, porque hoje os adeptos que foram ao estádio da Luz são verdadeiros campeões, porque estão sempre lá.

O Benfica hoje não foi feliz, mas também na vida há que aceitar o destino e hoje o destino estava traçado. Metalist acabaria em primeiro do grupo com zero golos sofridos nos 4 jogos e o Benfica acabaria em último e merecido lugar, fechando assim a sua pior participação na Taça Uefa desde sempre.

Obviamente que isto não é positivo mas também não e assim tão negativo quanto alguns querem tentar fazer transparecer.

Eu sabia que depois deste jogo de hoje o Benfica ficava finalmente livre para pensar apenas e só no campeonato. Eu já aqui escrevi sobre a derrota na Taça e sei que ainda não recuperei dessa desilusão, mas sei que os jogadores já meteram para trás das costas as duas competições que esta semana ficaram realmente para trás (passe a expressão).

Também sei que depois de termos ganho apenas um dos últimos cinco jogos, dificilmente a equipa entrará desconcentrada contra Nacional e sei que fará tudo para ganhar o título moral de campeão de Inverno e o título real de liderar com 2 pontos de avanço a classificação, nesta fase importante do campeonato.

Sei que é difícil, mas também sei que é exactamente isso que queremos. Ser líderes. E focar tudo no campeonato. Deixar os cães ladrar porque ambos os cães que ladram trocariam de lugar connosco porque ser líder é importante e eles sabem disso.

A nossa equipa é boa e não vale a pena tentar encontrar culpados em derrotas que já não interessam para nada. Não há que culpar a equipa técnica ou alguns jogadores, sonhando com contratações no mercado de inverno. Não precisamos de nada para sermos campeões, senão de nós próprios. Ainda não perdemos e acredito que não perderemos esta semana.

Neste momento não há qualquer gestão de plantel a fazer e temos que apresentar a melhor equipa possível em todos os 19 jogos que faltam na Liga. Ter a atitude correcta para no campo enviar os recados certos para imprensa, adversários e alguns adeptos de outros clubes esperançosos em que esta aparente crise tenha reflexos na Liga.

Não, não terá porque nós sabemos o nosso objectivo deste Julho e o problema deles é que com tantos objectivos, pode ser que se percam no caminho de definir prioridades. Problema deles...

Não estou contente com o resultado de hoje mas sei ver a floresta quando muitos querem ver a árvore. Que continuem cegos com essa árvore enquanto eu foco no que realmente é importante.

Força Benfica

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Indesculpável...

Eu sou um dos rostos da "paciência transformada em letras" nesta época Benfiquista. Tenho aqui escrito e apoiado um projecto em transição, fundamentado opiniões positivas, defendido sempre a nossa equipa técnica e criticando muito vagamente alguma falta de atitude pontual que penso não serem justificadas a quem representa o nosso Benfica.

Há várias semanas que tenho defendido que a Taça de Portugal era uma prioridade e fiquei muito contente quando Quique Flores fez publicamente um mea culpa depois de ter facilitado no onze que defrontou o Penafiel na Luz para a primeira eliminatória da Taça. Nesse dia Quique assumiu "que tal não se repetiria" e que o Benfica queria muito "estar presente na final da Taça de Portugal", definindo publicamente esse objectivo como "prioritário".

Escrevi aqui no blog textos e textos e textos sobre este jogo alertando para o receio que se vinha apoderando de mim e do meu poder intuitivo que normalmente me alerta quando existem dificuldades futebolísticas no caminho do Glorioso.

Eu não podia ter feito nada mais (até porque sou um mero adepto com ideias e sentimentos sobre o nosso Benfica) para alertar a nação encarnada do perigo em facilitar um milímetro que fosse neste jogo.

Estava parte da época em causa e escrevi algo provocatório no título do texto que antecedia a partida - raramente escrevo sobre jogos específicos antes deles acontecerem - decidindo-me por um simples e lacónico "O Jogo do Ano".

Senti realmente que este podia ser o Jogo do Ano. Não só do ano 2008 como aí ironicamente escrevi, mas o jogo que nos podia marcar o ano.

E não tenho dúvidas que há um antes e depois da eliminação da Taça de Portugal nesta época futebolística encarnada.

Não quero falar muito da atitude da equipa que esteve a anos luz do jogo que aí disputaram em Outubro para o campeonato e que me pareceu correcta, nem quero falar das opções técnicas/tácticas porque normalmente não falo delas e todos que me lêem sabem que assumi cegamente a minha preferência por esta equipa técnica por muitos e bons anos.

Não altero em nada essa minha preferência mas sei o que custa perder em Matosinhos e sei o que me custa saber que Quique não foi honesto com os adeptos do clube.

Quique Flores é um senhor, um gentleman e um profundo conhecedor do Futebol moderno. É a pessoa certa para levar o Benfica aos sucessos que todos queremos e alguns deles (esperamos) ainda nesta época, mas não tenho dúvidas em afirmar que Quique Flores não foi honesto com os adeptos do nosso Glorioso, na maneira como encarou este jogo contra o Leixões.

E não foi honesto, pela simples razão que não deu um sinal de prioridade à Taça de Portugal como tinha dito que daria na vitória sobre Penafiel. A opção de rodar os guarda redes é uma opção pessoal, mas que não deve ser regra de ouro em todas as partidas. É assim que eu a vejo.

Ora depois de Moreira ter três partidas oficiais, sem sofrer nenhum golo e sabendo que Quim não tinha sido convocado a opção de colocar Moretto na baliza revela automaticamente um sinal de que a prioridade da Taça não é de todo igual à do campeonato. É assim que eu leio essa opção no preciso momento em que soube desta decisão para defender a nossa baliza. Não quero dizer com isto que Moretto tem culpa, ou que Quique fez mal ou bem, ou que o resultado seria outro com Moreira. Nada disso. O resultado poderia ser o mesmo. Ou não... O que sei é que Quique não foi honesto e espero que aprenda com estes erros. Como pode aprender com estes erros? Metendo sempre os melhores jogadores disponíveis, jogando com a gestão de plantel que ele e equipa técnica têm provado magistralmente saber fazer e não dizer aos adeptos que um troféu é prioridade quando na verdade não o sente como tal.

Num ano em que é obrigatório ganhar algum título e sabendo que o Campeonato, sendo o mais apetecível é obviamente o mais difícil porque está indexado a uma regularidade que temos mantido mas que podemos perder, tendo a Taça Uefa com a pior participação do Benfica até à data, levar a sério (muito a sério) a Taça de Portugal era "obrigatório".

Para mim era obrigatório, mas provavelmente tenho critérios distintos da equipa técnica, e que sem ironia, assumo o meu respeito por esses mesmos critérios. Gostava no entanto que Quique me explicasse a opção Moretto e de que forma essa opção reforçava a confiança e a probabilidade do Benfica sair vitorioso do Estádio do Mar. Nunca se sabe quando um dia, em amena e simpática cavaqueira Quique me possa explicar essa opção, mas até lá considero-a indesculpável...

Há anos na vida dos clubes em que ganhar não é tudo. Neste ano, o Benfica não tinha que ganhar tudo, mas teria que fazer boa figura em tudo o que participa. Na Taça Uefa com Hertha de Berlim, Galatasaray, Olympiakos e Metalist apenas empatamos um jogo, estamos fora da competição e na melhor das hipóteses fazemos 4 pontos em 12 possíveis.

Na Taça de Portugal contra Penafiel, Desportivo das Aves e Leixões o Benfica ganha 3-0 com Desportivo das Aves e leva as outras duas partidas para penaltis. Ganha uma, e perde outra...

Em mais de 3h30m de dois jogos (Liga e Taça de Portugal) o Benfica não consegue ganhar ao Leixões e pior que isso, mesmo que a atitude tenha sido de louvar - longe de mim criticar nesse tópico a equipa - a verdade é que futebolisticamente o Benfica não provou ser superior ao Leixões em nenhum momento. As oportunidades claras de golo foram quase nulas e o empate apesar do domínio encarnado do jogo, justificava-se no final do tempo regulamentar e do prolongamento.

O que a mim me faz confusão é como o Benfica não entra determinado a vencer o Leixões de forma categórica, em vez de esperar pela lotaria dos penaltis, deixando que a sorte decidisse o que os nossos jogadores não foram capazes de decidir por eles próprios.

Eu considero indesculpável a derrota em Matosinhos, porque todos sabíamos o que ela podia representar. Bem sei que no futebol ganhar e perder faz parte, bem sei que muitas vezes as derrotas estão escritas, mas ontem não podíamos perder. Por isso, a dor não passa, mesmo depois de 30 horas sobre o último penalti de Reyes e por isso escrevo o texto mais desapontado de todos os que tenho aqui escrito.

Não estou contra ninguém, nem ninguém tem culpa, mas sei que a época do Benfica fica marcada por esta derrota. Sei que neste momento o campeonato será pouco para este plantel, até na perspectiva tão importante de crescimento competitivo que se desejava forte nesta época (não confundir a expressão "o campeonato será pouco" - referindo o campeonato em termos de jogos - com a "conquista do campeonato" que será muito e o objectivo primordial da época).

Neste momento temos mais uns quantos jogos da Taça da Liga - no máximo serão sete, no mínimo serão dois - um jogo a feijões para a Uefa e 19 jornadas da Liga. No total falta-nos muito pouco para o tal crescimento competitivo que desejámos para o plantel profissional do Benfica, que só é efectivo e alcançável com a própria competição.

Estamos num ponto da época em que temos tudo para fazê-la positiva, ou fazê-la uma vez mais, catastrófica. Eu acredito que vai ser positiva e continuo a acreditar no objectivo que tenho aqui apregoado desde sempre - prioridade ao campeonato, mas começamos a ter menos "tiros" caso algo corra mal na Liga.

Acredito e acredito e acredito neste plantel, nesta equipa técnica, nesta direcção técnica e nesta administração... Não o nego, mas sei que uma equipa faz se com vitórias reais e não com vitórias morais. Temos duas competições para ganhar - neste momento a Taça da liga passa para nível de prioridade total - e espero que a equipa pense em resultados, porque neste momento é apenas disso que necessitamos. Focar nos resultados e pensar que só com esses resultados podemos e devemos crescer.

Sonhei com a hegemonia interna neste ano, mas tal não virá a acontecer; sonhei com a presença na final do Jamor porque isso significaria que a equipa chegava a um patamar competitivo interessante e porque crescíamos como equipa e tal não acontecerá; sonhei que o Benfica ia deixar a alma em Matosinhos e apesar da atitude positiva não foi isso que aconteceu; sonhei com a energia positiva de Moreira nos penaltis e no final vi um Moretto incapaz e negativo; sonhei com um Natal Feliz para a nação encarnada e no máximo teremos um Natal esperançoso...

No entanto, sei que a equipa é forte e vai transformar os pontos fracos em pontos fortes.

Assim sendo, o discurso passará a ser mais incisivo - "ainda bem que estamos fora da Taça Uefa e da Taça de Portugal para poder ganhar o Campeonato..." Que assim seja, mas só por ironia e comédia barata esta frase fará sentido. Temos tanto, tanto, tanto trabalho pela frente que até lá teremos que sofrer muito....... Estamos todos preparados para isso.

Sonho com o dia em que matematicamente seremos campeões e será esse sonho que comandará a minha vida futebolística esta época.

Força Benfica

sábado, 13 de dezembro de 2008

O Jogo do Ano

Todos os "próximos" jogos do Benfica devem ser encarados como os "Jogos do Ano", porque para nós, "o próximo" é sempre o mais importante. Penso que para adeptos e para quem gere o Benfica, ganhar o "próximo" jogo será sempre a máxima fundamental que direcção e equipa técnica utilizam para motivar este ou qualquer grupo que jogue com aquela camisola.

A verdade é que os jogadores interiorizam num processo muito selectivo e por vezes nem consciente, quais os jogos que eles consideram importantes, fazendo por vezes apostas erradas.

Às vezes os próprios treinadores quando definem quem joga, também dão sinais ao grupo de que importância real tem esse jogo. Por isso é que não acredito em nada do que se vem dizendo nos jornais sobre a hipótese Moretto para a nossa baliza. Posso-me enganar mas não vejo nenhum sentido nessa opção. A opção terá de ser a Melhor Equipa possível, como prova a convocatória.

Todos os jogos da Taça Uefa eram prioridade e não ganhámos ainda nenhum. A Taça de Portugal em casa não era prioridade porque jogávamos com Penafiel e ganhámos (e bem) apenas nos penaltis. Com o Leixões fora também não era importante e viu-se o que se passou nesse terrível 6 de Outubro e o que aconteceu ao Leixões na classificação na Liga. Com o Setúbal, os jogadores devem ter pensado que passar para a frente do campeonato em casa seria "fácil demais" e acabámos por empatar esse jogo, passando para a liderança no jogo em que o grupo se mentalizou que ia ter muitas dificuldades e acabou por ganhar 6-0.

O melhor, melhor é pensar que o Jogo do Ano é sempre o próximo.

Tendo em conta que o ano acaba dentro de poucas semanas teremos apenas três jogos até final deste 2008 - Leixões, Metalist e Nacional.

Dois jogos em casa e um jogo fora; um jogo para cumprir calendário e garantir o mínimo de prestígio Europeu; um jogo de campeonato para tentar segurar a liderança nas Festas Natalícias; e um jogo que pode marcar a época negativamente caso não acabe como todos queremos.

Esse jogo que falo no final do anterior parágrafo disputar-se-á hoje, pelas 20h45m no Estádio do Mar em Matosinhos e é "por todas as razões e mais alguma" (como disse Quique numa destas últimas conferências de Imprensa) o nosso Jogo do Ano.

Tenho dado uma importância enorme a este jogo desde que soube do sorteio. Admito que tenho algum medo deste jogo e penso que o tenho descrito subconscientemente nas linhas deste blog.

Comecei por escrever sobre este jogo aqui, quando referi que o Benfica devia aprender com os erros de atitude que demonstrou este ano, nomeadamente em Matosinhos no jogo do Campeonato; não contente, voltei a falar deste jogo aqui quando defendi que a "minha opção" era utilizar Moreira na Taça e Quim na Madeira pela simples razão que apesar de tudo considerava mais importante este jogo em Matosinhos que o do Funchal (por ser a eliminar) e porque confiava plenamente em Quim para o jogo da Madeira; voltei a falar insistentemente deste jogo no texto onde celebrámos a liderança do campeonato e volto a ele agora, no próprio dia do jogo, porque nunca é demais lembrar a Importância Real desta partida na dinâmica que se quer implementar nesta época.

Nestes jogos gostava de estar no balneário do Benfica para poder discursar cinco minutos. Não falaria de tácticas - obviamente - e apenas falaria do que penso ser importante referir neste dia.

Falaria da importância deste jogo no futuro do Clube Benfica e do plantel Profissional do Benfica durante a restante época; falaria sobre a atitude má (muito má) que tiveram no último jogo aí disputado; falaria que são nestes jogos em campos pequenos e onde não apetece jogar que se vêm os grandes campeões; dizia-lhes que há uma semana que na cabeça dos jogadores adversários só está a vitória sobre o Benfica e que eles estão tão focados nisso que nós só ganhamos se tivermos o dobro da vontade de ganhar; fazia ver-lhes que há pessoas que acordaram às 5:30am para irem de autocarro do sul para Matosinhos ao frio ver este jogo e que voltarão para casa ainda nessa noite chegando por volta das mesmas 5:30am do dia seguinte e que não fizeram este sacrifício físico e financeiro para o perder: fazia-lhes entender que a Taça é tão importante como o campeonato (neste preciso ano); fazia entender a todos os jogadores que o Leixões não é um clube pequeno e que não se medem os clubes pelo seu Historial recente, ou pelo tamanho do seu Estádio, mas sim pelo momento magnifico que atravessam; fazia ver-lhes que nós somos Muito Melhores que eles e se jogarmos com atitude e vontade de ganhar este jogo, nunca o perderemos; Fazia-lhes ver que todo o bom trabalho que estamos a fazer pode ser deitado no lixo se perdermos este jogo e ficarmos fora de mais um objectivo - alertando para o facto de estarmos já fora da Uefa; dizia-lhes que não ganhámos nos penaltis ao Penafiel para virmos perder aqui; dizia-lhes que nunca acreditei mais neles que neste dia e que não tenho a menor dúvida que no final do jogo daremos um passo fundamental para o crescimento futebolístico desta equipa com a vitória neste difícil campo.

Se fosse necessário falaria num Português arranhado de Espanhol para que todos entendessem. E fazia-o com a humildade de quem sabe que não está em San Siro ou mesmo nas Antas ou Alvalade mas sim no Estádio do Mar em Matosinhos.

Fazia-o hoje porque este é realmente o Jogo do Ano, tendo em conta o que falta disputar.

Sei que este texto é um exercício irracional, tenho a certeza que alguém já comunicou aos nossos jogadores tudo isto de forma clara e cada um dos nossos jogadores sabe exactamente o que tem de fazer para voltarmos a Lisboa felizes.

Não tenho dúvidas que vamos ganhar, mas não sei porquê não deixo de ter um receio que me assusta. Os nossos jogadores não têm esse receio porque sabem o que valem e sabem que se falharam uma vez não falharão segunda. Hoje Vamos Ganhar. Porque mereceremos Ganhar...

Quero muito ser Campeão este ano, mas também quero estar no Jamor na final da Taça de Portugal. Quero muito e os nossos jogadores também...

Força Benfica

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

A capa do Jornal "O Benfica"


Recebo semanalmente (como muitos outros bloggers benfiquistas) a capa do Jornal "O Benfica" um dia antes da sua publicação. A verdade é que por mais que queira estar atento e presente em todos os assuntos do Benfica, nem sempre venho à caixa de correio à quinta-feira e a sua publicação neste espaço, falha muitas vezes o timing desejado.

Tendo em conta o meu post anterior, o timing para a publicação da capa de amanhã não podia ser mais adequado.

Depois de toda a pseudo-polémica sobre o texto de José Nuno Martins mais uma razão para amanhã, todos comprarmos o nosso Jornal.

Força Benfica

Um Grande Benfiquista


A expressão "Grande Benfiquista" está muito associada a alguém que socialmente tem uma conotação facciosa, doente mas também alguém nobre que assume o seu grande Amor pelo nosso clube de várias e diversas maneiras. Eu considero-me um Grande Benfiquista porque sou tudo o que atrás escrevi entre muitos outros adjectivos, mas sei que existem outros Grandes Benfiquistas como eu. Aliás quero acreditar que 6 milhões...

Um deles é José Nuno Martins, que conheço pessoalmente, e por quem tenho muitíssima estima pessoal e profissional.

Este Homem sempre foi um visionário e sempre foi alguém muito focado nas suas ideias e na maneira como comunica essas mesmas ideias, alguém que conhece como ninguém o mercado audiovisual nacional, o mercado da comunicação/publicidade no geral e como sabemos é também um excelente comunicador.

Desde sempre que tenho por ele um enorme respeito, mas quando assumiu a direcção do Jornal "O Benfica" mais carinho e admiração por ele senti, tendo em conta que estava a servir a causa Benfiquista com a sua experiência e aprofundados conhecimentos profissionais.

Estes últimos meses têm sido determinantes para entender que desde que José Nuno Martins pegou na direcção do nosso Jornal a sua dinâmica editorial tem sido intensa e sem qualificar de melhor ou pior que o passado, considero-a uma dinâmica muito positiva.

Na semana passada no seu editorial José Nuno Martins resolveu numa maneira muito Benfiquista, espicaçar a nossa equipa utilizando expressões como:

"Tenho de soltar a indignação perante a ausência de intensidade e a falta de concentração de alguns jogadores que, para terem a honra de vestir a camisola do Benfica, são honradamente pagos"

"Talvez nada esteja perdido se, de uma vez por todas, os jogadores mudarem de atitude. Enquanto é tempo."


"Eles [jogadores] não são nenhumas flores de estufa a quem tudo tenha de ser indefinidamente perdoado"

Na minha opinião não há Grandes Benfiquistas maiores que qualquer um dos Grandes Benfiquistas que eu conheço. Quando se chega a um patamar de Grande Benfiquista não há nada acima disso e por isso é que se torna usual alguém dizer num café:

"Tu podes ser tão Benfiquista como eu, mas mais, não és..." E depois claro puxa-se do cartão de sócio para ver quem tem o número mais antigo e dar por encerrada a discussão.

E a verdade é que o Luisão, ou o Nuno Gomes ou o Quique Flores ou o Rui Costa ou o Luis Filipe Vieira ou o João Gabriel ou seja lá quem for - o Domingos Soares Oliveira não será porque não é Benfiquista - não dão lições ao José Nuno Martins do que é ser Benfiquista. Aliás do que é ser um Grande Benfiquista (acrescento que dei estes exemplos aleatoriamente e não faço ideia se leram o texto, se o criticaram ou o aplaudiram).

Eu não concordo com a forma como o José Nuno Martins escreveu o texto pela simples razão que eu não senti o que ele sentiu, mas respeito cada uma das suas palavras. Não costumo falar de mim neste blog - não é sobre mim que devo por aqui falar - mas não resisto a cometer uma pequena inconfidência. No dia do Olympiakos - Benfica fiz um dos meus maiores sacrifícios por Amor ao Glorioso. Não interessa agora de que forma o fiz, mas eu sei o que fiz. Também sei que nesse dia estava especialmente sensível - também temos esse direito - e só eu sei o que passei para poder ver esse jogo. Quando finalmente começei a ver o jogo, já o resultado estava 2-0 e daí até ao apito final só senti Orgulho no nosso Benfica. Talvez a envolvência donde estava, talvez o momento pessoal em que me encontrava, talvez a racionalidade de entender que afinal o Benfica não tinha tido assim tão má atitude que justificasse aquela goleada, fez com que viesse aqui ao Blog escrever um texto que intitulei "Viva o Benfica!" e onde reiterei publicamente o meu Amor Puro a este Clube.

José Nuno Martins sentiu de maneira diferente essa derrota e não é por ser director do Jornal "O Benfica" que deverá deixar de sentir o que sente. Não tenho dúvidas que Ama o Benfica como eu, como tu, como você ou como ele ou ela que passam os olhos por este texto.

Não admito que alguém ponha em causa o Benfiquismo dum Grande Benfiquista por uma opinião crítica em relação ao nosso Glorioso. Também não acredito em tudo o que vem escrito nos media nacionais e espero que tudo isto não passe dum infeliz fait-divers. Também quero acreditar que nunca alguém tenha colocado em causa o lugar de José Nuno Martins como director natural do Jornal "O Benfica" apenas e só porque ele expressou uma opinião polémica no jornal do nosso clube.

Outra Grande Benfiquista de nome Leonor Pinhão escreve hoje na sua crónica n´"A Bola" a propósito deste hipotético incidente:

"Deve José Nuno Martins ser condenado por ter escrito uma crítica contundente às prestações dos nossos gloriosos atletas nos dois jogos em causa?

Deve ser demitido? Demitir-se? Fazer auto-crítica?

Não, de modo nenhum.

É, certamente, uma questão geracional que me faz pensar assim. Cresci benfiquista num tempo em que, quando não havia crises, elas tinham de ser inventadas. Era estratégia pura. E maravilhosa.

Havia, por exemplo, uma preocupação em marcar assembleias gerais do clube para as vésperas dos grande jogos de modo a que meia dúzia de associados, plenos de espírito de missão, pedissem a palavra para desancar na equipa de futebol mesmo que a equipa de futebol liderasse o campeonato com 36 pontos de avanço.

E porquê?

— Porque, de vez em quando, é preciso espicaçar os jogadores — foi-me explicado por benfiquistas mais velhos, altamente qualificados no seu benfiquismo e superiormente inteligentes.

Recordo-me, por exemplo, de uma assembleia geral em que a equipa de futebol foi apelidada de «equipa das bacalhauzadas» e, assim, por descrédito e insultos grosseiros, foi reduzida a uma menoridade que não era a sua. Conclusão: 48 horas depois esmagámos com uma goleada um ancestral rival interno.

E porquê?

Porque os jogadores foram «espicaçados».

Neste sentido, histórico, entendo o editorial de José Nuno Martins.

Às vezes é preciso inventar uma crise."

Como sempre, Leonor Pinhão é brilhante, lúcida e utiliza de forma sarcástica algum humor para aligeirar o que é necessário aligeirar e não dar muita importância ao que realmente não tem importância.

Temos sempre que olhar para os mais velhos e para aqueles que sabem exactamente o que representa o Benfica e o que representa o Antigo Terceiro Anel na opinião Benfiquista. Bem sei que ser racional é desejável mas o Terceiro Anel não é racional e não conheço nenhum Benfiquista mais apaixonado do que aquele que ainda continua a preferir esta bancada a qualquer outra do Estádio. Não sei onde José Nuno Martins vê os jogos - calculo que não os veja no Antigo Terceiro Anel (que neste estádio é exactamente do lado oposto à bancada presidencial) - mas nesse editorial representou muito da opinião desse Terceiro Anel que Ama "irracionalmente" tanto ou mais o Benfica que qualquer um dos jogadores que representam o nosso Clube e que foram os visados nesse texto.

Nunca nos podemos esquecer que por mais Amor que um jogador tem a um clube, esse jogador vai e vem, e só os Grandes Benfiquistas envelhecem no Terceiro Anel. E quanto mais velhos somos mais sentimos o Benfica e mais o Amamos. José Nuno Martins mostrou o seu Amor numa semana complicada e onde cada um de nós teve emoções distintas.

Uma coisa é certa, como a Assembleia Geral antes dum jogo importante, que fala a Leonor Pinhão no texto de hoje, o resultado na Madeira foi de 6-0, dois depois da publicação do texto de José Nuno Martins.

Pela parte que me toca, Obrigado José Nuno Martins... Nunca saberemos se foi o seu texto ou não mas a verdade é que não se via uma goleada destas há muitos anos.

Força Benfica

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

A importância da Liderança


Somos primeiros. Sei que não terá nenhuma importância para os adeptos do FCPorto, talvez do Sporting, do Leixões e de outras equipas que foram líderes do campeonato nos últimos 1296 dias - desde o dia 22 de Maio de 2005 - mas para o Benfica é muito importante conseguir esta liderança nesta altura.

Sei o que representa ser primeiro e sei o que pode significar no futuro de curto, médio prazo do nosso clube esta liderança do principal campeonato nacional.

Eu defendi aqui no blog que começar 2009, a 2 ou 3 pontos do primeiro classificado seria algo "muito bom" e que nos deveria orgulhar a todos. Disse-o em Agosto e sabia bem porque o escrevia. Sabia que mudávamos de treinador, perdíamos o maestro no campo colocando-o em novas funções directivas, sabia que tínhamos muitas caras novas e basicamente sabia que meses antes terminámos o campeonato em quarto atrás de Guimarães e Sporting e a mais de vinte pontos do FCPorto. Sabia (e sei) que no futebol não há milagres e que o Tempo era o nosso melhor amigo, mas também o nosso maior obstáculo para arrancar bem nesta Liga.

Disse e repito que para mim a prioridade total é o campeonato, seguido da Taça de Portugal, Taça da Liga e Taça Uefa. Não coloco a Taça Uefa em último porque estamos fora dela, mas sim porque sabia que mesmo passando esta fase - coisa que acreditei obviamente que podia e devia ter acontecido - o nosso foco não devia sair nem por um segundo da tentativa de encurtar distâncias em relação aos nossos maiores adversários internos.

Este conceito de encurtar diferenças internamente era o objectivo, sempre pensando que encurtando diferenças, estávamos a dar como dado adquirido que estaríamos atrás desses adversários no final do primeiro terço de campeonato. O que temos assistido é uma prova magnífica do Benfica - que começou mal com 3 empates nos primeiros cinco jogos - e uma atitude muito positiva da equipa em dar eco aos objectivos "internos" previamente (bem) definidos por Rui Costa e Quique Flores.

E neste momento, tirando os desaires da Taça Uefa que nos afastam prematuramente dessa competição, o Benfica tem sido muito forte, mesmo com alguns erros infantis em alguns jogos. Gostava obviamente de continuar na Europa mas sei que preparar a equipa este ano para que possa dar frutos Europeus no próximo pode ser consequência aceitável para este desaire prematuro.

O Benfica hoje, tem claramente uma estabilidade que não tinha noutras épocas e só passando por essas épocas sofríveis podemos hoje constatar isso mesmo. Depois dos 5-1 da Grécia, e do empate com Setúbal a equipa entra na Madeira com a confiança de quem sabe que está a crescer bem e de quem sabe que obviamente é mais forte que o Marítimo. Não foi a expulsão que ganhou o jogo. O jogo ganhou-se no inicio quando se viu a atitude da equipa. A goleada nasce com a expulsão mas a vitória nasce desde o primeiro minuto de jogo.

Esta certeza de todo o grupo, em que o trabalho está a ser bem feito é aquilo que nos vai fazer também acreditar que depois de uma derrota ou dum mau resultado não há uma crise ou uma derrocada, porque começa-se a ter certezas que o bom trabalho tem naturalmente de dar frutos, exingindo-se mais, tendo mais concentração e evitando-se erros que se têm vindo a cometer neste passado recente.

O que me espanta é que este trabalho dê frutos em tão pouco tempo. E sobre isso lembro que apesar do campeonato ser a prova principal, o domínio nacional não se fica apenas pelo campeonato. Esta liderança no campeonato, apenas nos aumenta a responsabilidade no próprio campeonato mas também nas outras provas nacionais. Todos sempre nos querem ganhar. Agora querem ganhar ainda com mais ganas (para usar uma expressão cara ao nosso treinador), começando já pela equipa que perdeu a liderança para o Benfica.

Ter um jogo contra o Leixões no próximo fim de semana é algo que faz com que o Benfica não possa sequer desfrutar da liderança porque o medo de perder e sair fora da Taça com a equipa revelação desta Liga é real.

Eu quero ser campeão e ganhar a Taça de Portugal no Jamor. É isso que quero. Não quero a Taça Uefa (também já não a posso querer) e a Taça da Liga pode vir por acréscimo mas não me tira o sono. Mas quero muito ganhar os dois principais troféus nacionais e sei que para ganhar os dois tenho de ganhar ao Leixões no próximo sábado.

Há cerca de um mês dizia eu aqui no blog que se o Benfica souber aprender com os erros pode falhar menos e ganhar mais. Também dizia depois do jogo de Setúbal e de Atenas que quando deixarmos de ser infantis nalguns momentos do jogo, também íamos ser mais felizes noutros jogos. Com o jogo do Leixões a atitude tem de ser a mesma que se teve em Guimarães, que tivemos no Funchal esta semana ou a que tivemos por exemplo em Paços de Ferreira. O Benfica tem de jogar este jogo sabendo que é mesmo uma final e que não se espera menos que 100% de cada jogador. Penso que 99% não será suficiente porque todo Portugal não Benfiquista quer que o Benfica perca para passar o Natal mais feliz e porque José Mota e sus muchachos já provaram o que podem fazer para nos contrariar. Nós pelo contrário queremos passar o nosso Natal feliz e sabemos a importância deste jogo. Eu dizia aqui há uma semana que preferia perder com o Marítimo, que perder com o Leixões para a Taça, pela simples razão que nesta competição perder não tem remédio.

Nós somos superiores ao Leixões, não pelos dois pontos de avanço no campeonato, mas pela nossa equipa, estrutura, individualidades. O que sei é que se não formos muito fortes mentalmente, fisicamente e tacticamente não ganharemos em Matosinhos.

Espero que não se entrem em falsas euforias com os 6-0 da Madeira e se esqueça a atitude miserabilista (não miserável) com que se entrou para a segunda parte do pior jogo do ano contra o Leixões na Liga. Não se pode esquecer esse jogo porque são estes jogos que nos marcam o ano. Eu perdoo ao Benfica tudo, menos a falta de atitude. Mesmo em Atenas, achei que o Benfica tentou o possível e não os critiquei mas em Matosinhos fomos maus e não serve de desculpa o excelente campeonato do Leixões ou os seus bons resultados em Alvalade ou Dragão.

Exijo como adepto atitude igual ou superior à da Madeira por "todas as razões e mais algumas", como dizia Quique Flores na passada semana na conferência de rescaldo de empate com Setúbal.

A importância da liderança também se vê nestes jogos que nem sequer são para o campeonato. O Benfica é um todo e este jogo é fundamental para o resto do ano.

Até ver será o jogo do ano - primeiro e segundo defrontam-se - com a agravante de quem perder sai da competição. Deixem tudo em campo e façam-nos acreditar que o bom trabalho começa também a dar resultados onde eles são mais importantes - no domínio das competições nacionais.

Ainda sobre este jogo, mas noutro tabuleiro, informa "A Bola" que o Benfica vai receber 61250 euros (o mesmo que Leixões) referentes a direitos de transmissão televisiva deste jogo que opõe o primeiro e segundo classificado da Liga.

O Benfica pediu, e muito bem, a cópia do contrato assinado pela Federação Portuguesa de Futebol (detentora do poder negocial dos jogos da Taça de Portugal) com a TVI para averiguar os números reais que a estação de televisão pagou por este jogo. Ou muito me engano ou o Benfica vai ter uma surpresa pois os valores que a TVI pagou foram mesmo esses. Isto só prova que neste momento têm de se rever todas as regras de todas as competições no que toca a transmissões televisivas nacionais e o Benfica aí terá uma palavra a dizer porque não se pode negociar pacotes de transmissão da Taça de Portugal a pensar que o Benfica receberá 61250 euros quando se desloca ao campo do segundo classificado nos oitavos de final da prova.

Absolutamente Ridículo. Sem mais comentários...

Parabéns a todos os Benfiquistas que durante 1296 dias acreditaram que este dia chegaria, mais cedo ou mais tarde. Nós podemos e devemos desfrutar da liderança, mas os nossos jogadores já têm que esquecer a goleada de domingo e focar tudo no importante jogo da Taça. Concentração, atitude e união são a receita para ganhar a esta equipa surpresa da Liga e não espero nada menos que isso e muita paixão para assumir em campo a responsabilidade de ser primeiros.

Tenho muito orgulho no trabalho feito neste "Novo Benfica" e sei que estamos ainda no começo de um ciclo com muitas vitórias. Que a próxima seja já no sábado...

Com orgulho de líder, grito bem alto :

Força Benfica

sábado, 6 de dezembro de 2008

A minha opção...

Sou um acérrimo defensor de Quique Flores e assim continuarei por convicção, não por concordar ou discordar das suas opções num ou noutro momento.

Não sou treinador, não penso em tácticas diariamente, não treino com os nossos jogadores, nem analiso semanalmente os adversários do Benfica para me poder sentir minimamente capacitado para criticar ou aplaudir as nossas opções técicas e quem lê este espaço sabe que raramente me meto nos meandros tácticos deste apaixonante jogo.

Aliás, interessam-me sempre mais outro tipo de questões relacionadas com o Benfica que as opções técnico-tácticas que Quique ou outro treinador implementa.

No entanto, nesta questão "Quim" que animou a semana futebolística encarnada, resumi o meu pensamento a uma frase que escrevi na passada segunda feira e que cito hoje de novo.

"Culpa de todos porque no "meu Benfica" são sempre 11 que ganham e 11 que perdem."

E isto não vai mudar nunca. Não critiquei Kastsouranis no jogo com FCPorto, como não critico qualquer avançado quando não marca ou qualquer defesa quando falha. São nossos jogadores e se num momento não estão bem é porque nós também não estamos sempre bem no nosso trabalho e não é por isso que todas as semanas somos metidos na "prateleira".

Acredito cegamente em Quique - como aqui já o escrevi antes. Este "cegamente" resume numa palavra um conceito de confiança máxima, sabendo que as suas decisões podem ser acertadas ou erradas, mas que aprenderá com os seus erros, acreditando sempre que quando decide está a tentar melhorar a equipa. Todos os jogadores do Benfica já tiveram banco - desde as estrelas às novas coqueluche, passando pelos eternos suplentes que têm uma oportunidade. Todos jogam e todos descansam, menos Quim.

Quim nunca descansou, porque a opção na Taça tem sido Moreira e isso não é um descanso é apenas uma opção técnica que noutros anos também se verificou no Benfica.

Então se estamos a uma semana dum importante jogo para a Taça com o líder do campeonato - veremos se no próximo sábado Leixões nos recebe como líder - e num jogo que Moreira será titular, não seria melhor esperar uma semana para passar o testemunho, caso seja uma passagem de testemunho que esteja na cabeça de Quique?

Eu não acredito, nem um pouco na opção de passagem de testemunho. Acredito que Quique sentiu que houve muito ruído nesta semana e num jogo tradicionalmente difícil na Madeira contra o Marítimo, onde o Benfica provavelmente não ganhará - espero obviamente o contrário - quis "proteger" Quim como se diz agora na gíria futebolística. Quis dar-lhe descanso como deu a Leo... Quis dizer lhe que conta com ele, "mas não agora". Provavelmente também não conta com ele para a Taça de Portugal, e aqui reside a essência da minha opção.

Se estamos a uma semana dum jogo importantíssimo para a Taça de Portugal, porque não deixar Quim jogar na Madeira, arriscando uma derrota que pode acontecer como pode não acontecer contra Marítimo? Temos a defesa recomposta com Maxi, Luisão, Sidnei e David Luiz e na última vez que estes jogaram não sofremos golos em Coimbra.

Eu optava por Quim na Madeira e deixava Moreira preparado para defender as balizas de Matosinhos. Seria a minha opção...

Se tudo corresse bem a Quim e a Moreira nos respectivos jogos, voltaria à normalidade de Quim na baliza com Metalist já com a tal semana de descanso anunciada em Matosinhos. Se corresse mal a Quim e bem a Moreira, teria a calma e o descanso dum jogo a feijões (com Metalist) para poder relançar Quim e se corresse tudo bem a Quim e mal a Moreira, significaria que afinal Quim defenderia naturalmente a baliza do Benfica nesse tal jogo de nenhum interesse com o Metalist e Moreira continuaria a espreitar outra oportunidade. (Admito que este tipo de análise de correr bem a um e mal a outro é terrível e quase que me envergonho de a escrever, mas para defender uma ideia tive que passar por esse horrível exercício...)

Também há quem diga que as oportunidades na vida se defendem com unhas e dentes uma única vez, porque o comboio não passa muitas vezes. Depois de tanto sofrimento e de tanto banco a oportunidade surge agora para Moreira. Gosto dos dois - de Quim e de Moreira e sei que qualquer Benfiquista sincero sente o mesmo que eu, sem qualquer ódio por esta ou aquela bola mal defendida, neste ou naquele jogo por um ou por outro - não esquecer que num guarda redes dias bons e dias maus acontecem normalmente.

Mas eu não sou treinador do Benfica e sei que Quique pensou e meditou, falou com quem tinha de falar e decidiu o que pensa ser melhor para o Benfica. Estou com ele apesar da minha opção ter sido outra. Hoje e sempre estou com Quique, com ou sem campeonato ganho em Maio, porque não me esqueço facilmente do que era o Benfica nos últimos dois anos - uma equipa triste, desanimada, com um público descrente e desacreditado.

Hoje, estamos fora da Taça Uefa e estamos em todas a competições nacionais. Amanhã podemos perder com o Marítimo e ainda estamos na luta pelo campeonato, mas uma derrota contra o Leixões aniquila muita coisa nesta época. Quero o domínio nacional e para isso necessitamos de continuar em frente em todas as provas nacionais.

Posto isto qual será o guarda redes mais importante - com o jogo do Marítimo ou contra o Leixões para a Taça de Portugal?

Como eu falo de fora, sem toda a informação é-me mais fácil decidir...

Força Quim.
Força Moreira.
Força Quique.

Força Benfica.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

A essência da Mística

Há textos que nos marcam e marcam a maneira como vemos alguns dos assuntos da nossa vida e especialmente dos assuntos relacionados com o nosso Benfica.

Este texto retirado do blog "Tertúlia Benfiquista" é um desses exemplos, onde as palavras nos fazem entender de forma clara o que é a essência da Mística Benfiquista.

Obrigatório!

Força Benfica

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Para quem acredita em milagres

Eu não acredito em milagres mas quando a equação inclui algo a ver com o Benfica passo a acreditar...

Amanhã o Benfica joga o seu futuro na Taça Uefa, mesmo sem que a equipa jogue no terreno de jogo. Dizia eu antes, para quem acredita em milagres amanhã é um dia em cheio porque precisamos de dois milagres num espaço de 2 horas - que o Metalist perca em casa com o Olympiakos e esperar que o Hertha de Berlim também perca em casa com o Galatassaray.

Se o Hertha de Berlim empatar também não ficaremos muito tristes mas já que estamos a pedir - e quando se fala de milagres não fica mal pedir o desejável - então que perca...

Se isto acontecer, se em menos de 24 horas estes dois resultados forem uma realidade, mesmo com o empate de ontem frente ao vitória de Setúbal a nossa moral voltaria a estar lá em cima.

Assim, a 18 de Dezembro - dia em que recebemos em casa a equipa revelação da Taça Uefa de nome Metalist - dependeríamos de nós e de um empate ou vitória do Olympiakos em Atenas diante do Hertha de Berlim.

Ou seja, pensando que no último jogo, o Olympiakos não perde em casa, o Benfica "apenas" tem de ganhar 3-0 ao Metalist no nosso Estádio da Luz. Este resultado pode ser menos volumoso se o Metalist amanhã perder em casa por 3-0 e assim apenas necessitamos de vantagem de 2 golos.

Todos estes milagres são possíveis porque falamos do Benfica e quando se fala do Benfica é mesmo tudo possível como infelizmente se viu ontem no Estádio da Luz.

Apesar de ser remota a chance e apesar de parecer impossível desde a passada quinta feira que estes milagres possam acontecer, nada como pedir e esperar a ver o que acontece. Então, e como temos companheiros amigos em ambas as equipas, peço encarecidamente ao nosso amigo Fernando Meira que motive o mais possível os seus jogadores para uma vitória em Berlim - que ele também conhece dos jogos que aí disputou com o seu Estugarda - e ao nosso timoneiro Quique Flores peço que perca o orgulho e mande um sms ao seu colega e conterrâneo Ernesto Valverde - actual treinador do nosso último carrasco de quinta feira - pedindo-lhe "que ganhe amanhã na Ucrânia por uma margem confortável e que repita a eficácia ofensiva que tão acertada esteve na passada semana". Coisas simples...

Eu por mim, farei a minha parte e quebrarei o jejum de alguns anos, fazendo o obséquio de por uma vez na vida torcer por uma equipa Grega como se não houvesse amanhã e torcer por uma equipa Turca da mesma maneira que torci contra eles nas bancadas do Estádio de Geneve neste último Euro 2008.

É a minha maneira de contribuir para este pequeno e desejável milagre que por experiência e por lógica terá muito poucas hipóteses de se verificar...

Isto tudo para chegar à grande conclusão de toda esta História. O que eu quero mesmo é viver uma noite Europeia à antiga - não contra os grandes do futebol Europeu - mas sim contra uma equipa teoricamente mais modesta e onde o Benfica tenha que entrar obrigado a marcar 3 golos. Todos sabemos que estas noites Europeias escasseiam pela simples razão que a maior parte das competições agora são por grupos. Pois bem, que o milagre aconteça amanhã porque depois, no dia 18 não acredito que o Hertha ganhe em Atenas (mas pode acontecer milagres para os lados de Berlim) e nós teríamos uma super noite de emoções em pleno Estádio da Luz.

Agora, vou abrir a luz e acordar do sonho... Era bonito!

Força Benfica

Não falo de árbitros no blog...

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É pena porque hoje este senhor de apito "estava mesmo a pedi-las"...

Apesar de tudo, sei que seremos campeões este ano, porque esta equipa vai merecer ser campeã. E sabem porque ainda não somos primeiro? Porque ainda não merecemos esse lugar. E sabem porque ainda não merecemos esse lugar? Porque com golo ou sem solo de Suazo anulado, com expulsão ou sem expulsão de Sandro - antes ou depois do segundo golo do vitória - uma equipa líder não sofre um golo daqueles nos descontos. Culpa de todos porque no "meu Benfica" são sempre 11 que ganham e 11 que perdem. O primeiro lugar chegará. Chegará...

Quique disse no final que:

"O futebol tem este tipo de acidentes que nos deixam frios por dentro, mas que fazem parte do jogo. Era um jogo para ganhar, por todas as razões e mais alguma..."

As equipas tem acidentes de quando em quando, mas as equipas consistentes e inteligentes aprendem com os acidentes, como cada um de nós aprende com os acidentes na nossa vida. Acredito cegamente nesta equipa e sei que estes erros não se repetirão. Espero que "por todas as razões e mais alguma" possamos crescer como equipa, ser mais maduros e menos infantis. É só isso que falta.

Sem mais, Força Benfica... Força

(imagem retirada do nosso blog vizinho "Forum Benfica")

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Viva o Benfica!

Viva o Benfica!

Ha dias tristes e dias muito tristes... Hoje é um desses dias muito tristes, mas também é nestes dias que sentimos a razão pela qual Amamos o Benfica. Sim Amor... Não tenho problema em escrevê-lo. É nestes dias que sentimos que somos Grandes e não será uma derrota que nos abala o que sentimos pelo Benfica. Os processos de mudança são longos e complicados e no fim, quando ganharmos mais que perdermos, quando deixarmos de ser por vezes infantis, sentiremos que todas estas derrotas são nem mais nem menos que "parte do processo" da evolução competitiva. É doloroso, mas consideramos apenas isto como "parte do processo".

Temos tudo para voltar à alta roda do futebol europeu, mas não é este ano. Não há nenhum problema com isso. Será no próximo, ou no outro... O importante agora é consolidar o Benfica internamente e não esquecer que há 6 meses éramos quarto classificado a mais de 20 pontos do primeiro.

A curva é ascendente e é nisso que temos de focar...

Peço união no grupo e que não se encontrem culpados fáceis no balneário, na direcção técnica ou na direccção. União e Vontade.

Força Quique, Força Rui Costa, Força Benfica...

domingo, 23 de novembro de 2008

"Há que falar pouco de mim, muito de todos e nada dos outros"

Quique Flores utilizou a frase que dá título a este post para comentar o badalado e hipotético interesse do Real Madrid na sua contratação para treinador - ou na verdade utilizou esta frase para "não comentar" esse interesse que segundo se diz por Espanha, é mesmo real...

Acrescenta Quique Flores que "neste caso o Real Madrid está nos outros, por isso não comento. Da mesma forma, quero falar muito pouco de mim, prefiro falar do Benfica, dos jogadores, da equipa, é isso o mais importante. Estou satisfeito com esta dinâmica e quero ficar aqui."

Com uma frase tão profunda ainda por cima com cariz de "citação" - é raro haver citações de cariz mais ou menos intelectual nas conferências de imprensa de futebol - um jornalista perguntou a Quique Flores "quem lhe tinha transmitido esse ensinamento", ao que ele respondeu de forma humilde e divertida que "sinceramente não me lembro [risos]... Lembro-me apenas da frase, não de quem a disse. Li numa entrevista que tinha a ver com literatura ou espectáculos, algo assim. A frase chamou-me a atenção, despertou-me interesse, por isso registei-a. Acho que pode aplicar-se em muitos casos."

Acho magnífico que o nosso treinador cite uma frase de um anónimo que sabemos que vem da área da literatura ou espectáculo - duas áreas artísticas com muitos intelectuais e com muitos apaixonados por futebol e especialmente pelo Benfica - para dar um exemplo muito simples, que se resume em expressão anglo-saxónica como um estilo "low profile".

E é exactamente isso que temos na direcção técnica do Benfica. Alguém tão bom e tão profissional que não precisa de se meter em bicos dos pés para que lhe reconheçam o seu valor. Isto é próprio das grandes pessoas, das pessoas predestinadas a chegar longe. Eu acredito que quando temos valor não necessitamos de gritar esse valor que temos. Pelo contrário. Deveremos provar que temos valor nos locais correctos, mas sem grande alarido - a não ser que estrategicamente tenhamos que utilizar esse alarido em nosso proveito.

Quique Flores chegou a Portugal e inovou em muitos aspectos. Não quero falar dos aspectos técnicos-tácticos porque sobre esses o tempo dirá de sua justiça, mas em termos de postura, de comportamento, de nível e de boa educação, provou que era uma pessoa de elevada estatura.

Desde sempre o defendi e defenderei neste espaço pela simples razão que neste momento ele é a pessoa mais importante da estrutura de futebol do Benfica. Disse aqui - num texto que intitulei de "A Mística de Quique Flores" - que gostava de ver este treinador no Benfica durante três temporadas (apesar de sabermos que assinou por duas). Além de não retirar uma única palavra a esta ideia, reforço esta mesma ideia. O Benfica precisa de Quique Flores por três temporadas. Bem sei que os resultados é que definem os treinadores e uma derrota por exemplo na Grécia nesta semana tira-nos fora da Taça Uefa, ou uma derrota com o Leixões em Dezembro tira-nos fora da Taça de Portugal, mas isso são exactamente as contingências que não devem direccionar o nosso caminho. Com Quique durante três anos, iremos estabilizar o plantel, iremos ganhar confiança, iremos ganhar obviamente alguns títulos, iremos cimentar o nosso nome na Europa, iremos ter uma equipa a perder menos e iremos basicamente ter uma equipa muito bem preparada para quem se seguir a Quique Flores.

Ganhar e perder faz parte do jogo e eu tenho aqui referido muitas vezes, que ainda vamos perder bastante esta época porque já não há milagres e as épocas longas, com ou sem títulos, também se constroem com derrotas. Pois eu independentemente dessas vitórias ou derrotas sei que Quique Flores e a sua equipa técnica são hoje peças fundamentais naquilo que vai ser o Benfica na próxima década.

O seu discurso, a sua cultura, a sua maneira de estar entre outras características de alto nível, são para mim o exemplo de como se deve estar no futebol moderno. Ver notícias do interesse do Real Madrid não me surpreendem até porque Schuster ao pé do Quique Flores é como comparar o Jaime Pacheco ao José Mourinho. Não tem comparação possível. Nunca entendi como Schuster chega ao Real Madrid, depois dumas épocas brilhantes no Getafe (é verdade) mas sem a experiência, conhecimento e sabedoria que por exemplo o seu antecessor detinha - Fabio Cappelo.

Espero, muito sinceramente que Rui Costa faça ver a Quique Flores que para ele serão apenas três anos e para o Benfica podem significar uma década inteira, manter o mesmo treinador e a mesma estrutura. Quique tem tempo de chegar ao Real Madrid, terá tempo de quiçá chegar à Selecção do seu país ou a outro qualquer grande clube Europeu.

"Neste momento, senhor Quique Flores, é fundamental que não fale dos outros - se esses outros forem o Real Madrid - mas que não deixe que eles falem de si. Qualquer resultado menos positivo do Real Madrid terá o nome de Quique Flores no jornal e qualquer resultado menos positivo do Benfica terá o Real Madrid nos jornais porque vão dizer que já está a pensar no Real e isso desestabilizará a nossa equipa (mesmo que obviamente as derrotas ou empates não tenham nada a ver com o interessa do Real Madrid em Quique Flores). Acredito muito no seu trabalho e sei que não nos deixará tão depressa. Assim espero."

Entretanto, que hoje consigamos os três pontos, num jogo que considero muito importante para o nosso futuro imediato na Liga. Apesar de normalmente não ser difícil para o Benfica ganhar em Coimbra, espero que os jogadores entrem determinados porque pensando que a História e estatística favorável resolvem jogos, é o primeiro passo para um dissabor. Isso não vai acontecer hoje.

Força Benfica

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

O Inferno da Luz

O Benfica viu o seu nome envolvido em casos de polícia, devido à detenção de alguns elementos da claque "No Name Boys" no passado domingo.

Antes de emitir a minha opinião sobre o caso específico deste fim de semana, tenho que admitir como ponto prévio que não tenho pelas claques Benfiquistas qualquer tipo de simpatia ou antipatia. Não as levo muito a sério e penso sempre que num dia em que o Estádio da Luz tenha 60.000 cativos vendidos, as claques deixam de existir. No entanto, partilho com muitos dos membros das claques momentos históricos do SLBenfica, especialmente nas deslocações ao estrangeiro ou em estádios nacionais onde o Benfica joga fora. Vejo nalguns desses elementos a cara da Mística Benfiquista - o sofrimento, o acreditar sempre, as directas em voos de low cost, os hotéis baratos, os sacrifícios que fazem para poder acompanhar o Benfica nas viagens para fora de Portugal, especialmente.

Nessas pessoas sinto a Mística e sinto que são boas pessoas, humildes, que amam o Benfica como eu, como tu, como você ou como qualquer grande apaixonado - com chama... Também vejo nesses mesmos estádios a droga, alguma violência verbal e alguns esquemas mais ou menos sujos que por lá se passeiam... Considero-os normais e não confundo nunca o geral com o particular.



Não gosto de ver "claques" separadas no Estádio da Luz e sem querer ser demasiado naif, acredito na hipótese de ter claques ou grupos organizados menos delinquentes, menos violentos, menos procurados pelas autoridades e mais legais. Especialmente muito mais legais. Posso ser naif mas não quero parecer demasiado naif ao ponto de pensar que uma claque tem de ser um grupo de jovens escuteiros, mas quero acreditar que podem ser um grupo mais bem comportado. Todos passamos por fases de socialização mais ou menos rebelde mas quero acreditar que vandalizar estações de serviços, roubar, bater, traficar droga, vender armas, não sejam de todo actividades normais que farão parte do "objecto social duma claque organizada legalizada".

Do site do Jornal "A Bola" retiro a seguinte notícia:

"A PSP concluiu, ontem, a denominada operação «Fair Play» - cujas diligências tiveram início há cerca de um ano –, culminando as investigações com a detenção de 30 membros da claque «No Name Boys» e apreensão de 11,5 quilos de haxixe, 115 gramas de cocaína, 70 gramas de ecstasy e 187 gramas de liamba, três armas, munições de vários calibres, quatro soqueiras, cinco embalagens de gás de defesa (spray), três bestas, três armas eléctricas, quatro bastões extensíveis, seis tacos de basebol, nove tochas, cinco potes de fumo e um very-light. Foram também apreendidas seis viaturas e cerca de 15.300 euros em dinheiro.

Em comunicado, a PSP informa que «o grupo de suspeitos, além da prática de crimes, tem incitado os elementos da claque à prática de acções violentas contra adeptos de outras claques, Agentes de Autoridade e elementos da Segurança Privada - Assistentes de Recintos Desportivos, bem como a introdução nos estádios de material pirotécnico». O tráfico de estupefacientes servia «como forma de financiamento da claque».

Mais adiante, quando o site do jornal "A Bola" fala da chegada de 12 dos 30 detidos às instalações do Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa (DIAP), ao início da tarde, acrescenta que essa chegada:

"(...) ficou marcada por incidentes motivados pela presença de outros elementos alegadamente afectos à claque «No Name Boys», que provocaram desacatos com alguns empurrões e o arremesso de garrafas (...) agrediram jornalistas, provocando distúrbios que resultaram em ferimentos ligeiros num agente da PSP."

Ou seja, apesar de conseguir separar o trigo do joio sinto claramente que algo vai mal no reino das claques Benfiquistas. Vamos considerar que estes 30 detidos e os cerca de 50 que foram ao DIAP esta tarde, são os únicos que têm problemas com a justiça e que todos os outros milhares são pessoas bem formadas, respeitadoras, que amam o Benfica como cada um dos milhões de adeptos e simpatizantes que não fazem parte de nenhuma claque e que a única ilegalidade que fazem é fumar uns quantos charros nos jogos ou nas viagens que antecedem esses mesmos jogos. Se assim fosse o problema seria fácil de resolver, mas só alguém imensamente naif - há vários níveis de inocência - pode acreditar que o que digo é verdade. Todos sabemos que as claques escondem outros problemas sociais e não podemos esperar que o Benfica os resolva mas também não podem esperar que esses problemas sejam desculpados pela administração do SLBenfica.

Eu acredito numa estrutura Benfiquista dialogante com as claques. Não teria nenhum problema em aceitar que a nossa direcção falasse abertamente com as claques e fazer-lhes ver que provavelmente deveríamos ter UMA claque e não duas, que a estrutura legal talvez deva fazer parte da SAD Benfiquista ou do próprio clube Sport Lisboa e Benfica e que deveriam ter directores e responsáveis mais condignos com os requisitos sociais legalmente aceites. Obviamente que ter "11,5 quilos de haxixe, 115 gramas de cocaína, 70 gramas de ecstasy e 187 gramas de liamba, três armas, munições de vários calibres, quatro soqueiras, cinco embalagens de gás de defesa (spray), três bestas, três armas eléctricas, quatro bastões extensíveis, seis tacos de basebol, nove tochas, cinco potes de fumo, um very-light e cerca de 15.300 euros em dinheiro" não corresponde ao meu conceito de directores responsáveis.

Se numa empresa responsável, alguns dos seus representantes forem apanhados com o que acabei de escrever no parágrafo anterior isso significa o fim dessa empresa socialmente, independentemente dos seus méritos empresariais. O que quero dizer com isto é que apesar de eu considerar as claques positivas e de sentir que apoiam o Benfica em momentos difíceis no Estádio da Luz ou fora, há mínimos de comportamento que temos que exigir dos responsáveis das claques.

Se as claques são grupos de pessoas distintas e diferenciadas com negócios ligados a armas, ao tráfico de droga, com membros ligados à extrema direita eu acho que o Benfica tem de agir e regulamentar internamente e com o apoio das autoridades uma nova estrutura para estes grupos.

O nosso presidente está muito queimado com estas claques e não tem neste momento espaço de manobra para poder negociar o que quer que seja com estes líderes, mas quando chegar o tempo de Rui Costa, e se ele tiver a coragem que nós lhe reconhecemos, podemos dar passos fundamentais na regulamentação das nossas claques e quem sabe aumentar as receitas do nosso merchandising e de bilheteira trabalhando com as claques.

Neste momento, o que sei é que este modelo de claques separadas, que não se dão, que escondem negócios paralelos, que são ilegais, que não elevam o nome do Benfica e que por contrário o denigrem na praça pública está esgotado. Apesar de tudo isto, ainda acredito na humildade de quem ama o Benfica e de quem acredita que estar numa claque é a maneira mais simples e leal de ajudar o clube do coração. Mais acrescento que não tenho dúvidas que 50% dos membros das claques correspondem a este perfil. Esse é o principal problema. Não deviam ser 50% , mas sim 90% a corresponder a este perfil e os restantes 10% a margem de erro que confirmaria a regra...

Os tempos mudaram mas o Benfica teve os momentos mais altos da sua História, com um autêntico Inferno composto por vozes de homens e algumas mulheres que apenas amavam o Benfica. Este deve ser o leit motiv dum grupo organizado que quer apoiar o Benfica - o seu amor incondicional ao clube. Não utilizar o clube para negócios mais ou menos sujos, mais ou menos legais. Quando isso voltar a acontecer, vamos ver o verdadeiro Inferno da Luz a reaparecer com vozes e pessoas de várias idades, várias ideologias, várias sensibilidades, várias classes sociais e de várias etnias ou raças, apenas e só com um objectivo - apoiar o Glorioso.

Força Benfica